No primeiro dia inútil de 2010, obtivemos evidência material de que sim, gordinhos neo-liberais passam o ano novo no Rio de Janeiro, andando sem camisa por aí, atirando lentilhas para Iemanjá por cima das ondas.
No Bar Brasil
Reparem a total ausência de microfones na mesa. Repare a abundância de camisas brancas. Repare os copos vazios. Mestre, nós aprendemos a lição. Tanto que, no auge da emoção e da falta de batatas fritas no Bar Brasil, a porção que não suporta comida alemã do portal e sua respectiva esposa conclamou os presentes a uma caminhada pela paz até o Bar Brazooka.
POXA BORA ALMOÇAR
No Bar Brazooka, fomos atendidos pelo competentíssimo holandês Christian. Plínio Salgado está tatuado em nossos biceps flácidos como papadas de Nero.
Às apresentações, antes que fique mais difícil. Começando pela esquerda e subindo, e descendo pela direita:
Talvez vocês já tenham percebido, mas nunca é má idéia avisar que:
1. O Portal está em manutenção. Estamos mudando o sistema de publicação e isso causa instabilidade, bugs, erros de layout em vários blogs, etc. Não se assustem: É por pouco tempo. Logo tudo estará bem, para melhor servi-los;
Tudo pode ser dito? Sim, desde que se tenha em mente que palavras, assim como ideias, têm consequências, que podem ir da responsabilização criminal ao puro e simples repúdio da comunidade. Qualquer um que defenda, por exemplo, que os brancos não devem sentar à mesma mesa que os negros está sujeito às punições que a lei prescreve para o crime de racismo. Nada o impede de escrever isso, assim como nada deve impedi-lo de ser responsabilizado – e hostilizado.
Quem escreve “foram os judeus, e não os romanos, que forçaram a crucificação de Jesus Cristo” se esquece, em primeiro lugar, de que Jesus mesmo era judeu, não cristão -o que deveria ser escandalosamente óbvio. Muito mais grave, está reproduzindo uma ideia que teve consequências trágicas. Ela serviu, em inúmeras ocasiões, como tentativa de “justificar” o injustificável: a “culpa” dos judeus como motivo das perseguições e dos assassinatos que culminaram nos milhões de mortos da Segunda Guerra. Note-se que, hoje, o discurso da Igreja Católica repudia esse tipo de declaração – na nota sobre o escândalo envolvendo o bispo Williamson, por exemplo, o Vaticano diz que as opiniões dele em relação ao Holocausto “são absolutamente inaceitáveis e firmemente rejeitadas pelo Santo Padre, como ele mesmo recordou (…) quando, referindo-se àquele selvagem genocídio, reafirmou sua plena e indiscutível solidariedade com nossos irmãos destinatários da Primeira Aliança”. Não há desculpa, portanto, para quem acha que uma ideia que fundamenta séculos de antissemitismo pode ser usada como “argumento”. Isso não é honesto, nem decente.
Este portal não nega a ninguém o direito de escrever o que quer que seja. Mas reafirma seu direito – igualmente legítimo e fundamental – de repudiar qualquer barbaridade que tenha sido escrita sob seu guarda-chuva, ou mesmo fora dele.
Bernardo Carvalho, cabra de primeira linha, dono do antigo RTFM, agora está entre nós com o Plus Ultra. É um blog novo, nos cascos, para elevar o nível da vizinhança inteira. Aproveitem.
Agora, em vez da confissão sobre o que não se leu, elogios a Chesterton, o grande, e a Gustavo Corção, muito “gente”. Tudo isso para provar que os iconoclastas também amam.
Esta é a quinta e última gravação do primeiro set de conversas apostólicas. Nas próximas edições, passaremos a fazer postagens quinzenais das apostas. Sugestões de pauta são bem-vindas.
Márcio Guilherme, Igor Barbosa, Antônio Fernando Borges e Pedro Sette Câmara – necessariamente nessa ordem.
No quarto capítulo da empolgante “A Postos Connection” na livraria Da Vinci, no balneário, o espírito de Paulo Silvino é captado por nossos quatro médiuns e se manifesta na avaliação crítica do ego de Picasso (“aaaah, como era graaaande!”). Descubra também por que Almodóvar, Joyce, Guimarães Rosa e Gonzaguinha -não necessariamente nessa ordem- não são de nada.
Na terceira gravação da conversa na Livraria Da Vinci, nossos herois falam de poesia e arte. Começam por poema de Igor Barbosa, passam por Bruno Tolentino e Mozart, mas acabam em Picasso. Quer dizer, acabam com Picasso.